sábado, 2 de julho de 2011

REFLEXÕES SOBRE A ÁGUA: "UM PROJETO DE VIDA"!

O tema meio ambiente, é muito amplo. Pela escassez de tempo, resolvemos abordar somente o tema “água”. Das nossas dúvidas e certezas, surgiram novas dúvidas e nossas certezas. Portanto, estamos elencando algumas reflexões finais acerca do tema.
A ESCASSEZ DA ÁGUA
A questão da escassez tem que ser vista da seguinte forma: existe água em abundância no planeta? Sim. Existe água com qualidade? Sim. Existe água em abundância, com qualidade onde é necessário? Em alguns lugares, não. A dificuldade é a distribuição política da água. É fazer essa água estar junto aos agrupamentos humanos, sem a fonte estar contaminada. Então, se isso não ocorrer, a água se torna um bem raro, portanto, uma mercadoria mais cara. Lembramos os países pobres, inclusive em parte do Brasil, a maior parte das internações hospitalares ocorre em função da contaminação a partir da água. São populações que sofrem doenças a partir da água. Em vez da água ser uma substância para repor elementos importantes para a vida, ela acaba se transformando num vetor de doença.
Ela é vista como fonte de riqueza porque é um insumo fundamental para a produção agrícola e industrial, mas é, principalmente, uma substância vital para a reprodução da vida no planeta, inclusive da espécie humana. A água já é vista como mercadoria em alguns países do mundo, inclusive no Brasil, pois se cobra por ela, não apenas pelo serviço de coleta, tratamento e distribuição, mas também pela própria água.


ÁGUA E O SURGIMENTO DO UNIVERSO
Nosso planeta nasceu sem água. Ao longo de bilhões de anos, ele foi esfriando, sem atmosfera, em meio a enormes derramamentos de lava e erupções vulcânicas e sempre recebendo água do espaço exterior. Quem enriqueceu a Terra de água foram os cometas que caíam por aqui. Nossa água veio do espaço sideral. Não é ‘natural’ da Terra. Assim, a queda de um asteroide ou de um cometa pode também significar vida, e não apenas a extinção dos dinossauros. A água não está acabando, conforme a ignorância de alguns anuncia. A água que existia há 100 mil anos é a mesma hoje. Ela pode se tornar inadequada para consumo ou insuficiente diante de uma demanda crescente em determinados lugares. O grande desafio é gerir a água. Ainda podemos refletir sobre a água como símbolo em rituais religiosos, mas lembra: “quem proclama a água como símbolo e fonte de vida deveria mencionar que ela é também uma fonte de morte. De muitas mortes. As águas de fontes murmurantes, límpidos regatos, orvalhos reluzentes, chuvas abençoadas e criadeiras são as mesmas das tempestades, trombas d’água, inundações, nevascas, maremotos e tsunamis, aquelas vagas imensas que agora no Chile mataram mais gente do que o próprio terremoto”. Somos dependentes da água para viver, em nossa fisiologia, para regular nossa temperatura etc. Grande parte dos animais, em particular, os mamíferos, é assim. Não há muito que se orgulhar disso. As plantas são bem mais evoluídas que os animais, apesar de nós, as corujas, os leões e muitos animais pensarmos o contrário. As plantas foram as primeiras a inventar o ovo, bem antes da galinha. Os animais nunca conseguiram libertar sua reprodução do ambiente aquático. As plantas evoluíram e libertaram a sua reprodução do ambiente aquático. Há 200 milhões de anos, os espermatozóides vegetais eliminaram seu flagelo, perdendo a capacidade de nadar. Ao cair sobre um óvulo, o pólen desenvolve um tubo que o penetra até atingir a célula reprodutora feminina. E, por esse tubo, migra o patrimônio genético masculino. Milhões de anos depois, uma segunda invenção ocorreu: a semente. Com ela, as plantas puderam controlar o tempo. Os animais nunca conseguiram. E viajar pelo espaço. Quando um óvulo animal é fecundado, a gestação começa imediatamente. Pouco importa se as condições são favoráveis ou não ao desenvolvimento do feto e ao seu nascimento. Nos vegetais não é assim. Após fecundação, através da dissecação, o embrião entra numa fase de vida muito lenta. O teor médio de água das plantas é de 80%, mas, nas sementes, ele é de 10% ou menos. O embrião para o crescimento. E pode aguardar anos e anos até encontrar um ambiente favorável para germinar. É como se uma mulher fecundada decidisse guardar o feto por 15 ou 10 anos antes de dar início à gestação.



ÁGUA FONTE DE LUCRO?
Eu sou contrário à privatização da água por duas razões principais: primeiro, porque ela se traduz pela mercantilização da água e, por conseguinte, pela mercantilização da vida. Assim, todo mundo reconhece que a água é sinônimo de vida, ou seja, “fonte” de vida. Ora, privatizar os serviços de água significa tratar a água como mercadoria, mesmo que determinados poderes públicos tentem dizer que se trata de uma mercadoria diferente das outras. A segunda razão que mostra que sou contrário é porque a privatização também implica na privatização do poder político, das decisões em matéria de salvaguarda da água, de seus usos e do direito à água. A água é um bem essencial e insubstituível à vida, e não se pode, por isso, confiar o poder de decisão a seu respeito a indivíduos privados.

É escandaloso pensar que a água possa ser fonte de lucro, e que os objetivos de rentabilidade financeira ditem as escolhas e as prioridades da gestão dela. Além disso, sendo a gestão da água necessariamente organizada sobre bases de monopólio natural, é inimaginável que o acesso à água possa gerar lucros.

No quadro da privatização, o acesso à água é subordinado ao poder de compra dos indivíduos e das organizações. Os seres humanos deixam de ser cidadãos para se tornarem consumidores e clientes de água. Ora, o acesso à água é e deve ser considerado e concretizado enquanto direito humano, a saber, um direito universal, indivisível e imprescritível. A sociedade, e as autoridades públicas em particular traem sua função e abandonam suas responsabilidades procedendo à privatização da água.

Opor-se à privatização não significa ignorar a existência dos custos que comporta pôr a água à disposição para os usos humanos vitais e a questão de sua cobertura e financiamento. Os custos, que são importantes, devem ser assumidos pela coletividade através dos processos fiscais gerais e específicos. O financiamento dos investimentos referentes a todo serviço público relativo à satisfação de um direito humano é de responsabilidade comum dos membros da comunidade, do nível local aos níveis nacional e internacional. Confiar tal financiamento ao consumidor para o pagamento de um preço é esvaziar de sentido o direito humano à vida e mudar a própria natureza da água.

No que se refere à água mineral engarrafada, convém denunciar a mistificação mundial operada no decurso dos últimos 30 anos. Por definição, a água mineral natural não é uma água potável, pois ela não pode ser tratada, mas deve ser engarrafada tal como ela sai da fonte, sob pena de perder suas características. Somente se pode reduzir ou acrescentar anidrido carbônico. Uma água potável é a que sofreu um tratamento que corresponde aos critérios (nacionais ou internacionais) de potabilidade. Por esta razão, as águas minerais naturais engarrafadas podem ser objeto unicamente de um uso temporário, descontínuo e específico, por sua relação a certas características em sais minerais que atribuem a essas águas propriedades para-terapêuticas.

Ora, uma vasta campanha publicitária conduzida nestas últimas décadas conseguiu fazer a opinião pública crer que a água mineral natural é melhor que a água da torneira, que é preciso beber água mineral para garantir melhor saúde, que as águas minerais engarrafadas são mais puras do que a água potável etc. Isso é estritamente falso. O sucesso das águas minerais naturais é devido principalmente à publicidade e a uma estratégia voluntarista de marketing da parte das companhias multinacionais das bebidas gasosas doces, que chegou a transformar as águas minerais num gigantesco mercado mundial muito sumarento.

Há também outra razão, de natureza socioeconômica, ligada ao fato que nossas sociedades se tornaram sistemas de altíssima mobilidade das pessoas. As garrafas de água mineral em plástico, em múltiplos formatos, têm sido uma resposta muito eficaz aos “imperativos” de um modo de vida muito móvel.


Algumas dessas reflexões foram extraídas do site www.ihuonline.unisinos.br. É notório que o desenvolvimento da humanidade deve ser levado em conta a sustentabilidade em relação à natureza. A pedra de toque das próximas gerações será a água. O nosso corpo tem uma relação estrita com a água. Somos formados basicamente por ela. A água está se tornando um bem de consumo em determinado países.
Levando em conta a volaticidade e a fragilidade do ser humano, percebemos que ainda não nos damos por conta da importância da água, muito menos da importância de preservarmos a mesma. É uma lástima, que nos dias atuais pensemos que teremos água em abundância e fartura.

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